EVIDÊNCIA DE GENOTOXICIDADE EM TRÊS ESPÉCIES VEGETAIS MEDICINAIS E A CORRESPONDÊNCIA ENTRE OS ESTUDOS E AS PREPARAÇÕES VEGETAIS AVALIADAS
Autoria: Lyca Ribeiro da Fonseca; Larissa de Malaguez Porciuncula; Jefferson Diocesano Cruz; Maria Athana Mpalantinos da Silva; Jefferson Rocha de Andrade Silva; Ana Claudia Fernandes Amaral
Coletânea: Pesquisas em Temas Multidisciplinares
DOI: 10.46898/rfb.mueqd0ltq34f
Resumo
Este capítulo analisa, como estudo de casos, a correspondência entre a evidência de genotoxicidade disponível e as preparações vegetais de Stryphnodendron adstringens, Anacardium occidentale e Erythrina mulungu, espécies nativas do Brasil e de uso medicinal popular difundido. A análise tomou como referência o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 3ª edição (FFFB3), a RDC nº 1.004/2025 e os Guias nº 74/2024 e nº 22/2019 da Anvisa. Foram comparados, para cada espécie, a parte vegetal, o processo de preparo, a forma farmacêutica, a via de uso e o material efetivamente empregado nos estudos de genotoxicidade. Nas três monografias, as preparações extemporâneas são decoctos; S. adstringens apresenta ainda pomada com extrato aquoso seco. A evidência para S. adstringens é relevante, mas não corresponde integralmente ao decocto nem ao extrato da pomada. Para A. occidentale, os dados apresentam maior proximidade com a preparação aquosa da casca, embora persistam diferenças de processamento e ausência de ativação metabólica no teste de Ames publicado. Para E. mulungu, a lacuna é maior, pois os estudos identificados utilizaram folhas e inflorescências hidroalcoólicas, distintas da casca do caule em decocção. Conclui-se que a avaliação deve considerar a representatividade da preparação testada, permitindo direcionar, caso a caso, estudos adicionais para suprir lacunas específicas.
Palavras-chave: medicamento tradicional fitoterápico, Genotoxicidade, Teste de Ames, Plantas medicinais, Preparação vegetal