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A SAÚDE MENTAL DE MULHERES NEGRAS NA OBRA “OLHOS D’AGUA” DE CONCEIÇÃO EVARISTO

Autoria: Suraya Victoria Chaves Castro Medeiros

Coletânea: Pesquisas em Temas de Ciências Humanas

DOI: 10.46898/rfb.mp1ci70pjd5x

Resumo

A saúde mental de mulheres negras tem sido historicamente negligenciada, e em seus debates desconsideram as dimensões estruturais que atravessam suas experiências subjetivas. Este artigo tem como objetivo analisar como a obra Olhos d’Água, de Conceição Evaristo, contribui para a compreensão da saúde mental de mulheres negras a partir do conceito de escrevivência. A investigação da literatura, fundamentada em referenciais do feminismo negro, da interseccionalidade e das epistemologias decoloniais, evidenciou que as narrativas literárias de Evaristo revelam o sofrimento psíquico como produto de violências estruturais e, simultaneamente apresentam estratégias de resistência, reorganização subjetiva e cura simbólica coletiva. Observou-se que a escrevivência se configura como um dispositivo estético, político e epistemológico que amplia a compreensão da saúde mental para além da perspectiva individualizante. Conclui-se que a obra Olhos d’Água constitui-se como produção de conhecimento sobre a subjetividade de mulheres negras, evidenciando a literatura como campo de produção de resistência.

Palavras-chave: Saúde mental, Mulheres negras, Escrevivência, Interseccionalidade, Conceição Evaristo.